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E o futuro da internet?

Autor: Ricardo Ruiz

Empresas de todo o mundo trabalham na construção da próxima geração da internet. O metaverso, ou a web 3.0, pode mudar a forma como vemos e interagimos com a internet hoje. Mas o que fazer para não repetirmos os mesmos problemas existentes na internet hoje?

Para responder à essa pergunta devemos comecar com outra: será que estamos à beira de uma nova revolução da internet? Epecialistas em tecnoclogia reunidos em Berlim dizem que sim. A conferência sobre esducação à distância, chamada ada, é uma comunidade que promove ações colaborativas de aprendizagem e crescimento pessoal, e proclama que “a nova tecnologia poderia reimaginar a web como conhecemos nas próximas décadas, tanto na estrutura como é construída quanto na forma que será apresentada aos usuários”.

No campo técnico, estes especialistas acreditam que a tecnologia blockchain – protocolo de comunicação seguro que permite rastrear o envio e recebimento de informação online, como a transação financeira – poderá ajudar a construir uma nova estrutura, descentralizada, para a internet. Nessa concepção, as pessoas teriam mais autonomia para gerenciar e controlar o acesso a seus dados pessoais, definir politicas proprias de privacidade em dispositivos prssoais e produzir uma gama de conteúdo interativo online. Esta possibilidade se constrói como um contrapondo ao controle informacional promovido pelas gigantes tecnológicas como a Meta e a Google.

Para Shermin Voshmgir, autora do livro Economia dos Tokens – Como a Web3 reinventará a Internet, a web3 reinventará a forma como a internet é construída desde sua estrutura, e se tornará uma mudança é paradigmática. E ela aponta, através de uma perspectiva econômica, modelos disruptivos para negócios para arranjos produtivos locais.

Ao mesmo tempo, empresas desenvolvem sistemas, dispositivos e interfaces para transformar como navegamos na web. Prometem um futuro próximo, com pessoas imersas numa experiência sensória, chamada metaverso – um espaço digital onde pessoas poderão trabalhar, comprar coisas, se entreter, jogar, exercitar-se e encontrar amigos. Um espaço de convergência entre a realidade física e digital.

Este universo imersivel online é posto como inevitável pela Meta – empresa anteriormente conhecida como Facebook. Mas ativistas de direito digital preocupam-se com o fato da construção desse universo ser financiada pelas grandes empresas de tecnologia, o que pode representar um maior controle sobre os dados e a vida das pessoas.

Micaela Mantegna, conhecida como Abogamer, é uma uma advogada especializada em políticas de video games, VR e ética voltada à inteligência artificial. Em seus textos, é perceptivel sua crença que o metaverso vai se tornar um dos sistemas mais invasivos, controladores e manipuladores já inventado.

A evolução da internet

Para evitar os mesmos erros na próxima geração da internet, precisamos aprender com eles.

Entre meados e final dos anos 1960, [cientistas e seus projetos de pesquisa começaram a conectar computadores](https://developer.mozilla.org/pt-BR/docs/Glossary/Arpanet#:~:text=A ARPAnet (Advanced Research Projects,por todo os Estados Unidos.), primeiramente nos Estados Unidos, e depois em todo o mundo. No entanto, foi só na decada de 1990 que a invenção conhecida como “world wide web” e suas páginas majoritariamente estaticas permitiram que pessoas pudessem usar em seus lares a ja não tão nova tecnologia de comunicação.

Desde então, tornou-se uma ferramenta imprescindível para as atividades sociais, e moldou a forma com fazemos negócios, trabalhamos e nos divertimos, como buscamos informação ou como interagimos socialmente. Segundo Miriam Meckel, Executiva Chefe da ada e professora na Universidade de St. Gallen, na Suiça, “Tudo mudou por causa da internet. E a internet também mudou”.

Na primeira fase da internet, pessoas utilizavam sistemas de buscas para procurar informações. Isso mudou em meados dos anos 2000, com o surgimento de mídias sociais e o acesso pelo celular. O modelo de web 2.0 apresentou plataformas como o Facebook e Orkut, e serviços de mensagem como WhatsApp e Telegram. Essas plataformas auxiliaram cidadãos a acessarem serviços e anúncios, mas também a protestarem contra regimes autoritários, dando voz a grupos minoritários ou marginalizados. Mas, em 2018, veio à tona o escândalo conhecido como Cambridge Analytics, que usou dados de centenas de milhares de pessoas para alterar comportamentos, promovendo discursos de ódio, ampliando praticas contemporâneas e seculares de desinformação e intervindo em regimes democráticos e em suas eleições. E, em escala geométrica, algumas poucas corporações dominaram o surplus econômico provindo do digital.

Poder às pessoas

Para quebrar o monopólio das grandes empresas de tecnologia e ampliar oportunidades aos indivíduos e comunidades, é preciso reconstruir uma internet, desta vez baseada em protocolos de segurança públicos descentralizados, com bases de dados que sejam acessadas por qualquer pessoa e que possa ser navegada por qualquer dispositivo do mundo. A ideia de uma internet gerenciada coletivamente pelas pessoas, ao invés de uma minoria controladora de dados, possibilitaria um desenvolvimeto econômico a partir das bordas, ampliando a produção e a distribuição de riquezas geradas pelo digital. Para além, possibilitaria democracias ativa, em que pessoas nao precisariam mais de representantes para construirem e votarem em legislações, e eleições e plebiscitos seriam resolvidos em ágora colaborativos, digitais e atemporais, conforme defendido e experimentado por Karl Popper e Henri Bergson. Mas até onde isso seria possível (e permitido)?

Em seus escritos, Jurgen Geuter afirma que apenas uma arquitetura descentralizada não devolverá o poder às pessoas. Ele mostra como as criptomoedas, cujas transações são baseadas em blockchain, estão nas mãos de poucas empresas, que concentram milhões por desenvolverem elas mesmas estes sistemas financeiros descentralizados. Para ele, a tecnologia nunca é neutra. Ela tende à quem investe mais.

Pessoas versus Metaverso?

Para evitar que o metaverso seja monopolizado, as pessoas deveriam interagir umas com as outras, independe de onde e como utilizam o metaverso. Isso poderia ser o diferencial do que é vivenciado nos sistemas digitais de hoje, onde apps não permitem troca de mensagens ou transações financeiras entre diferentes sistemas. Existe um consenso de que as coisas precisam ser interoperáveis. Mas algumas grandes companhias, como a Apple, estão longe de almejarem isso.

Ao mesmo tempo, existe uma ironia paradoxal nas grandes empresas de tecnologias desenvolverem uma estrutura de internet que, eventualmente, possa diminuir seus poderes. Por isso, o desejo dessas corporações para capitalizarem com o investimento feito na nova estrutura da web, eventualmente interferirá na dinâmica descentralizada da sua arquitetura, e resultará em danos colaterais à essa nova internet.

Por isso, Micaela Mantegna, conhecida como Abogamer, uma advogada especializada em políticas de video games, realidade virtual e ética voltada à inteligência artificial, aponta em seus textos e palestras que o metaverso vai se tornar um dos sistemas mais invasivos, controladores e manipuladores já inventado, e a versão corporativa do metaverso será uma evolução do capitalismo. E que sua natureza imersiva pode exarcebar problemas vividos hoje na internet, como desinformação e assédio online. Já há, inclusive, relatos de assédio sexual nas primeiras experiências do metaverso. Para ela, conforme a tecnologia evolui, os dipositivos de acesso ao metaverso vão monitorar informações sensíveis das pessoas, como a atividade cerebral, atividade fisica e habitos fisiologicos.

Para proteger nossa privacidade e impedir a vigilância em uma escala sem precedentes, governos e reguladores, em conjunto com a comunidade mundial e, devem elaborar regras em prol do comum para o novo momento da internet. Alguns esforços estão em andamento: a União Européia aunciou uma iniciativa de regulamentação global para 2023. Precisamos também nos apressar para evitar que os erros da Internet de hoje não se repitam, e para que metaversos não sejam um conjunto de softwares e protocolos bem pensados, mas socialmente mal intencionados.

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