Estou com sorte 😉

Separamos este artigo para você!

under pressure

dia

dezoito de março (e também vinte e sete)

de

dois mil e vinte 

Em tempos de corona vírus (COVID-19), o desenvolvimento de uma escrita acerca da experiência no Instituto Procomum me parece um abismo. A pausa no movimento cotidiano sugerido pela OMS, seguido pelo IP, me compromete a uma pausa no pensamento____________________________________________________________________________________________________

Há uma semana e meia atrás, foi realizada a oficina de cartazes com Fabrício, um dos mentores da Colaboradora. Abismo, como o qual pareço me encontrar, foi palavra escolhida por ele, transferida em um dos cartazes que estarão logo mais intervindo nas paredes das ruas, assim como desaparição; palavra recorrente a qual relaciono atualmente o meu fazer, e outras tantas palavras transformadas com cores e sobreposições de imagens inventadas por Bete, Soledad, Natalia e Fernando naquele dia.

A experiência com a feitura dos cartazes ativou a lembrança dos tempos de aulas de artes plásticas que fazia quando criança em uma associação do bairro onde morava em São Vicente. Processos de conhecimento: botar a mão, riscar, cortar, misturar, passar, transferir, pintar, sujar a roupa que não podia sujar, chamar o outro para ajudar. Ações básicas, modos relacionais complexos; não por alguma dificuldade, mas por elocubrações que vão se construindo na medida do estar com. É incrível dar materialidade as coisas que imaginamos com outras percepções sobre um mesmo objetivo.

Pensando nisso e nos meses que estão por vir, fortalecer a ideia de conjugar a ação e imaginação, pode ser uma estratégia eficaz de lidar com situações como essa, e outras reações e invocações em resposta a era de consumação e degradação do mundo.  Acredito, que isso possa se apresentar enquanto um método – palavra insistente que Marina Guzzo, também mentora, havia nos feito parar para pensar em sua formação. Se borrar (interdisciplinarizar) com as coisas, intra-ativamente, experimentando a experiência também do outro como uma necessidade de mudança radical no modo em que abordamos matérias, formas, relações, de modo a promover e fazer acontecer o sentido da partilha.

P A U S A

                                                                                                                   inspira

                                                                                                                    expira

Em períodos de encavernamento como esse, ficar em casa pode ser mais que um isolamento segurativo, possibilitando um exercício de agir sobre o comum, através da interseccionalidade dos movimentos, por mais zonas propositivas e menos escapativas, como sugere Eleonora Fabião, ao perguntar “o que ainda podemos imaginar juntos”, durante a MITsp desse ano.

Vamos pela via do contato em redes, vídeo, chamadas, cartas, na necessidade de estar juntos mesmo que para o nosso cuidado, separados .

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