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A arte e a colaboração como alternativas para novo horizonte comum

Colaboradora – Artes e Comunidades é a escola livre de artes do Instituto Procomum. Em sua segunda edição, em um percurso de dez meses, apresentou novas possibilidades do fazer e colaborar artístico, aproximando a arte e o comum

A Colaboradora – Artes e Comunidades trata-se de um percurso pedagógico no qual artistas selecionados por chamada pública, participaram de um ciclo formativo e realização de projetos aritz tísticos em colaboração. O projeto concluiu a sua segunda edição em 2020.

Clique abaixo para conhecer o perfil dos onze artistas participantes da segunda edição da Colaboradora  AC.

Vale lembrar que a ideia inicial do projeto era a realização de projetos envolvendo a comunidade da Bacia do Mercado, região central de Santos-SP, no entorno da sede do LAB Procomum.

Com a pandemia e isolamento social, o projeto sofreu uma série de alterações e teve que adaptar-se. Foi um percurso de mergulho nas próprias individualidades e na construção de novos territórios possíveis.

A segunda edição celebrou o encerramento de suas atividades com duas semanas repletas de apresentações e atividades no ciclo Aproximações: Arte e o Comum, realizado em outubro de 2020,.

Com três frentes: o lançamento da plataforma Territórios Comuns, onde os artistas participantes apresentaram seus percursos e projetos; a exibição da mostra Colaboradora 2020, com performances e exposições dos artistas ;e o ciclo de Lives (DES)Fazenda: o fim do mundo como o conhecemos.

Antes de avançar, olhar para dentro

As atividades da Colaboradora 2020 tiveram início em janeiro de 2020 com uma imersão de três dias facilitada pelo Coletivo Etinerâncias. O grupo pôde se conhecer e realizar uma deriva na Ilha Diana, comunidade caiçara de Santos-SP, onde foi realizado um sarau.

Participantes da Colaboradora visitam a Ilha Diana durante primeira imersão do projeto

 

Depois, o grupo seguiu encontrando-se semanalmente com formações presenciais nas quatro linhas de aprendizado propostas pela Colaboradora: 1. desenvolvimento artístico, com foco no fortalecimento estético e na ampliação de repertório; produção cultural, com foco na capacidade de gerenciamento de carreira e projetos; vivências territoriais, com foco em aspectos sociais, culturais e em diálogos pluriculturais;
processos colaborativos, com foco no convívio em coletividades e no cuidado;

Em março, quando o grupo se preparava para uma imersão de quatro dia para prototipagem dos projetos a ser desenvolvidos no território, a pandemia e o isolamento social impuseram mudanças.

Marina Paes, coordenadora da Colaboradora – Artes e Comunidade, explica que foi firmado um encontro por semana para que o grupo seguisse conversando. Para pensar juntas as possibilidades, seguir estudando textos e trocando ideias e referências.

“Não foi fácil lidar com tantas adversidades. Mas, por algum motivo, seguimos conversando sobre produção e criatividade. Sustentamos esse lugar de conversas, trocas e encontro. E foi justamente esse lugar que possibilitou seguir. E quando alguém caía, sempre tinha alguém para puxar de volta. Foi assim que conseguimos seguir nosso percurso até o fim e com a realização dos projetos”, disse Marina Paes.

Nos primeiros meses, o grupo seguiu encontrando-se em reuniões semanais na qual os artistas tiveram que mergulhar em si e reposicionar-se a partir do novo contexto e novas necessidades, até sentir que existia a possibilidade de recuperar a proposta da realização de um projeto. Foi preciso respeitar o tempo e o espaço de cada artista.

“Com as restrições da pandemia e do isolamento social, foi proposta a possibilidade de pensar desde os territórios vivíveis e não apenas a Bacia do Mercado. Isso gerou muitas reflexões e sensações das pessoas quando acessaram esses seus territórios. E, aos poucos, esses novos territórios foram voltando a atingir alguma relação com a Bacia do Mercado”, explica Marina Paes.

Plantando estrelas para colher uma constelação

Quando o grupo percebeu que não seria possível realizar um festival, como na primeira edição da Colaboradora- Artes e Comunidades, entendeu-se que não era a vontade do grupo realizar apenas uma live.

Foram longos meses refletindo sobre a criação de uma plataforma online, não como um local estático e sim de possibilidades para avanços e impulsos.

Os principais temas discutidos para construção foram o acesso, relevância e o significado de ter uma plataforma. “Foram muitos meses tecendo essa proposta. E na verdade ela concentra um esforço que foi realizado além do digital. É uma zona que concentra trabalhos, mas os trabalhos em si são reais, aconteceram em relação com outras pessoas e ambientes”, disse Marina Paes.

A plataforma simula uma constelação, na qual cada aglomerado estelar reúne os principais temas abordados pelos artistas em seus processos ou projetos. Mostrando como a colaboração é marcada por muitos atravessamentos comuns. Muitas vezes um tema não é parte do enredo do projeto final de um participante, mas foi essencial em seu percurso ou narrativa.

“Uma plataforma na qual podemos, nesse momento, difundir as ações. E que reúne todo o esforço do grupo, que vai desde a criação, produção, curadoria e outros aspectos do saber-fazer desses artistas, apresentando os principais mundos e territórios que eles atravessaram”, conclui Marina Paes.

Ampliando o debate, aproximando a arte e o comum 

Um dos principais debates realizados dentro do ciclo da formação e desenvolvimento dos projetos da Colaboradora – Artes e Comunidade é a aproximação do fazer e produzir artístico com o conceito do comum.

Ou seja, qual é o papel da arte e dos artistas na construção e defesa dos bens comuns? Como a produção artística, a experimentação e criação de novos imaginários pode apontar novas possibilidades de viver e conviver? E como a colaboração pode criar abundância em um cenário de escassez de investimentos dentro do setor?

Para Marília Guarita, coordenadora do projeto e diretora do Instituto Procomum, a segunda edição da Colaboradora – Artes e Comunidades mostrou como o projeto da escola livre e colaborativa da organização está consolidado e como a sua metodologia pode ampliar o debate sobre arte e o comum para um público maior.

“Já vivíamos um momento difícil para os artistas e para o setor cultural, com a pandemia e isolamento social, o cenário para os artistas ficou extremamente complexo e complicado. O formato da Colaboradora permitiu que os participantes pudessem seguir produzindo, dentro das suas possibilidades, com mentorias, cuidado e acompanhamento. E o mais importante: trazendo novas leituras estéticas e criativas, sem perder o engajamento social, a luta contra a desigualdade e o desejo de transformação”, comentou Marília Guarita.

A coordenadora do projeto e diretora do IP também comenta que uma das preocupações foi não deixar esses debates e possibilidades somente para o grupo. Obviamente, a produção desses artistas, atravessada pela colaboração de outros participantes e pelos eixos formativos do programa, já atingem um público maior e um artista acaba divulgando o trabalho de outro artista.

Mas em um cenário de agravamento das desigualdades, crise sanitária, econômica e política foi preciso aprofundar esse debate, afinal, artistas de todo o país vivem situações semelhantes.

Essa aproximação com outros pensadores e artistas foi realizado, dentro do ciclo de conversas (DES)Fazenda: o fim do mundo como o conhecemos.

“Buscamos pessoas de diferentes regiões do Brasil, com perfis e trajetórias diferentes, para conversar sobre as suas percepções sobre o tema, sob a consigna do fim do mundo como o conhecemos. É, ao mesmo tempo, ampliar o debate para o público, mas também trazer o que existe de mais interessante na produção e pensamento de arte e comum para nós de volta, como um ciclo formativo final. É dizer que a nossa produção também é, na sua ampla diversidade, agregado com diferentes vozes, um mundo comum que queremos construir”, disse Marília Reis Guarita.

Quem são as Mentoras?

Etinerâncias

O Coletivo Etinerâncias atua a partir da prática diária, no fortalecimento das experiências autônomas de comunidades tradicionais e espaços de resistência pelo Brasil …

Fabrício Lopez

Trabalha e vive em Santos e São Paulo. Mestre em poéticas visuais pela ECA – USP sob orientação de Claúdio Mubarac, é membro fundador da Associação Cultural Jatobá – AJA e do Atêlie Espaço …

Luciane Ramos

Artista da dança , antropóloga , curadora independente e mediadora cultural. É doutora em Artes da Cena e mestre em antropologia pela Unicamp. Tem especialização em diáspora africana pelo David C. Driskell …

Nina Guzzo

Artista e pesquisadora das artes do corpo, Marina Guzzo tem pós-doutorado pelo Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP e Mestrado e Doutorado em Psicologia Social pela PUC-SP. Professora Adjunta da Unifesp …

Repercussão da Colaboradora – Artes e Comunidades na imprensa

A plataforma “Territórios Comuns” reúne detalhes do processo de criação de cada artista ao longo do percurso dos trabalhos na escola livre de artes.
Ela foi elaboradora em parceria com o Estúdio Rebimboca e o programa Fabiano Rangel.
As constelações representam os principais temas abordados durante o percurso de formação e elaboração dos projetos.

A Mostra Colaboradora 2020 foi exibida virtualmente no dia 10 de outubro, reunindo as performances e intervenções destes artistas que integram esta edição.

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