Estou com sorte 😉

Separamos este artigo para você!

Capítulo 4 – Os quintais de resistência

por Bete Nagô, GT Imagem e Memória

Quintais da resistência. Uma ligação do passado com o presente. São histórias de resistências dos nossos quintais na Baixada Santista, a ideia inicial da série era, de maneira objetiva, fazer o resgate da importância desses quintais nesse território.

Fazer registros fotográficos que resistem a esse concreto. Fotografar o seu próprio quintal, no bairro do Macuco, o quintal de Thiago Pereira e Dé, do Coletivo Novo Paraíso de Cubatão. O quintal de Dona Isabel, em Cubatão.

Esses são quintais que cultuam a memória e a ancestralidade, um verdadeiro patrimônio, pois são espaços de troca de oralidade, onde a história é vivida e os saberes são trocados.

São quilombos modernos. Eu gosto dessa palavra. De lugares que resistem e existem no plantar medicinal, nos temperos, no comungar da comida, do almoço e dos jantares. Onde se fortalece, se fortalece os nossos. Onde se articula entre um gole e outro.

Eu vivo em um quintal de resistência e só tomei consciência que fazia isso há pouco tempo. Meu quintal sempre foi um local do fazer, do resistir. onde saíram trabalhos. Articulações.

Como no passado, quando nossas preta velhas, preto velhos que, sigilosamente, cultuavam a medicina e a religião, jogavam nas rodas de capoeira que resistiam nesses espaços.

Um lugar de refúgio que abrigava escravizados fugidos. E se hoje consigo fazer esse tipo de trabalho, é porque alguém lá atrás fugiu e resistiu. E existiu dentro de um quintal desses.

Os quintais de resistência onde Oxóssi quebra o concreto da cidade.

Com a pandemia e a impossibilidade de sair para fotografar, revisitei o meu acervo particular.

Quando fomos convidadas a levar fotos e infância para compor a documentação do projeto, pedi para minha mãe e minha irmã. Elas enviaram fotos do casamento dos meus pais e da infância. E elas lembraram que 90% das fotos haviam sido tiradas por mim, na infância.

Uma lembrança que eu não tinha. Fiquei surpresa por relembrar os momentos que era sempre eu quem estava com a câmera na viagem, comprando filme, posicionando a família. Na época entendia que fazer as fotos posadas era interessante.

Eu tiro fotos desde sempre. E não tinha essa memória de que as fotos foram realizadas por mim.

Da família, somos nós quem temos o maior acervo de fotos. É o único acervo da família.

Assim, revisitamos aqui, os quintais da minha família em Ritapólis, Minas Gerais, e fotografias do meu quintal de hoje, um quintal de resistência.

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