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Pesquisa, ação e formações contra apagamento histórico da população negra

Projeto LAB Procomum: Memórias, Narrativas e Tecnologias negras da Baixada Santista encerra atividades de 2020 com lançamento da primeira parte da pesquisa-ação e três atividades de formação; Em 2021, está prevista continuidade das pesquisas e produções artísticas e tecnológicas. Programação completa será divulgada no começo do ano

Na terça-feira (11/11) ocorreu em formato virtual a primeira conversa e apresentação da pesquisa-ação Memórias apagadas na terra da liberdade, desenvolvida dentro do projeto LAB Procomum: Memórias, Narrativas e Tecnologias negras da Baixada Santista.

A pesquisa é uma das principais atividades do projeto porque serve como guia e referência para todas as outras ações. Ela está sendo desenvolvida pelo historiador e pesquisador Marcos Augusto Ferreira e aborda o apagamento histórico da população negra na Baixada Santista.

Marina Pereira, coordenadora do LAB Procomum e co-idealizadora do projeto, abriu a conversa comentando sobre a importância da pesquisa para o entendimento da história negra da Baixada Santista, lembrando que esse é apenas um começo, um lançamento.

“Seria muito pretensioso dizer que é possível reunir toda a história e todas as memórias da população negra da Baixada Santista em apenas um ano. Mas quando jogamos uma pedra para o passado, ela também é lançada para o futuro. O importante é o movimento que estamos realizando, de mostrar o protagonismo negro da região e sua importância para toda a formação do Brasil”, disse Marina Pereira.

Casas do reduto de Quintino de Lacerda no bairro do Jabaquara. Foto: J. Marques Pereira, publicada no jornal santista A Tribuna de 26/1/1939, na edição especial comemorativa do centenário da elevação da vila de Santos à categoria de cidade (jornal no acervo do historiador Waldir Rueda)

A memória também é resistência

Marcos Augusto Ferreira começou a apresentação comentando como os batuques na música e as palavras de nossa gramática são exemplos da influência que carregamos até hoje.

“Eles podem ter tido seus corpos escravizados, mas trouxeram consigo as memórias e ligação com a África. A memória é resistência. E a prova disso é que estamos aqui hoje, reunidos, falando sobre isso”, comentou.

Ele lembrou que a proposta é justamente abrir as possibilidades, não somente resgatando a memória, mas combatendo o racismo e a política de silenciamento que vivemos há tantos anos.

Esse apagamento da história negra da Baixada Santista faz parte de um projeto de silenciamento. Segundo a pesquisa, Santos foi conhecida como terra da liberdade e da caridade e já haviam muitos escravizados libertos no final do século XIX. Essa alcunha da cidade é reflexo da força do movimento abolicionista, que abrigou milhares de fugitivos, rebeldes e formou quilombos na região.

“Faz parte da política de silenciamento não relatar esses fatos importantes para a nossa formação como parte da história da nação. Por isso, a pesquisa parte das memórias e narrativas, sem o objetivo de esgotar o tema, e sim de abrir uma frente de combate ao apagamento histórico e de contar todo esse processo, dando voz a quem sofre com o apagamento”, comentou.

 

Ele também lembrou que o trabalho não tem a preocupação em ser inédito, mas quer inovar na abordagem, que parte de memórias e narrativas, de ontem e hoje, para projetar um outro possível futuro. Por isso, a pesquisa-ação foi dividida em três etapas: Passado mais que imperfeito; tempo que se revela; e futuros plurais do tempo agir.

“Os tempos se confundem”, explicou Ferreira, sobre a falta de preocupação com a linearidade cronológica. “Não existe um passado ideal e sim um passado de muita luta, de heróis comuns – desde os personagens históricos rebeldes até as pessoas dos dias de hoje. É saber que história tem sido contada, como situa o negro e como o negro se situa nessa história antes e depois da abolição”.

Assim, a pesquisa passeia pelos personagens históricos do movimento negro no século XIX, como Pai Felipe (o Rei Batuqueiro), Quintino de Lacerda (Quilombo do Jabaquara) e Maria Patrícia (Abolicionista e parteira), mas também pelas memórias e histórias dos personagens de hoje, que Marcos Augusto encontra em seus passeios por Santos.

Formações em tecnologia, comunicação e narrativas

Além do lançamento da pesquisa, o projeto O LAB Procomum: Memórias; Narrativas e Tecnologias negras também encerrou primeiro ciclo de formações com realização de três círculos: Círculo Tecnologias Livres (05 encontros) em parceria com Casa de Cultura Tainã, MudaLab, GT Cultura Hacker, GT Invenções e Traquitanas; Círculo Comunicação e Memória (08 encontros), com Datalabe, Ike Banto; Círculo Imaginário e Narrativas (04 encontros), com Nicho 54 e GT Audiovisual.Todas as atividades aconteceram em plataforma online.

Os cursos tiveram participação de mais de 140 pessoas de São Paulo, Minas Gerais, Salvador, Espírito Santo, Amazonas, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraná, Acre, Distrito Federal e Bogotá (Colômbia).

Além das organizações parceiras, as atividades também contaram com os seguintes convidados Fábio Miranda (Favela da Paz), para a atividade de Tecnologias Negras; Janaína Damasceno, Clementino Junior (Cultne), Filó Filho, Luiz Augusto Campos, Gabriela Roza, Ana Carolina Lourenço (mulheres negras decidem), Thiago André (História Preta);  Aline Motta e Bruna Rocha, pelo Nicho 54.

Em 2020 o projeto ainda realizará mais duas formações e desenvolverá seu programa de residências artísticas.

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