Estou com sorte 😉

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Formando agentes populares de saúde e uma rede de cuidado


Terminou no sábado (10/07) o curso Agentes Populares de Saúde, parceria do IP com a Unifesp e o Instituto Elos. O curso aconteceu durante 05 sábados, em três polos: no centro, na sede do LAB Procomum; nos morros, na sede da Associação de Melhoramentos do Nova Cintra; e na Zona Noroeste, no Arte no Dique

O projeto Agentes Populares de Saúde começou a ser pensado durante a execução da campanha Baixada Pela Vida em 2020, entendendo a importância da criação de processos de proteção das comunidades para além das questões emergenciais. Afinal, a pandemia já apresentava desafios complexos que indicavam ultrapassar a crise sanitária.

Compreendendo o cuidado e a saúde a partir das demandas locais, o objetivo foi formar 18 lideranças comunitárias para o combate à pandemia. Para Marília Guarita, Diretora de Recursos do IP, o projeto é especial porque atende às demandas urgentes da crise sanitária e social, mas também aponta para o fomento de redes de inovação cidadã, que é parte do DNA da organização.

“As lideranças já têm uma importante atuação em suas comunidades e queremos, além de compartilhar informações sobre o Covid-19, estimular a formação de vínculos e trocas de tecnologias para acessar os territórios e superar as dificuldades”, comentou Marília Guarita.

Universidade, organizações e lideranças unindo forças para encontrar soluções

Outro eixo importante do projeto é a união entre diferentes setores da sociedade, com suas potências, plataformas, recursos e saberes disponíveis para o enfrentamento de problemas reais e com objetivos comuns.

Ou seja, a possibilidade da universidade, as organizações sociais e as lideranças sociais juntarem esforços para articularem soluções. Um ambiente que começa com uma formação, mas aponta para o enfrentamento dos problemas a partir de ações territoriais.

Para Helena,52 anos, que participou do núcleo centro do projeto, o curso é uma forma de expandir, aprender e ensinar. “São coisas para a vida, não somente para agora, na pandemia. É um conhecimento que nos serve. Poder começar algo agora – numa época em que tudo parece estar acabando é algo muito gratificante”, disse.

Ela lembra que muitas vezes existem coisas pequenas, que não percebemos, mas que são de vital importância para o bem-estar. “Aqui no centro, identificamos que
a lavagem das mãos é um problema comum. Existem muitas pessoas em situação de rua e muitas habitações precárias, na qual o acesso à água e produtos de higiene – e também à informação – é escasso”, disse.

Uma das ações que foi pensada pelos agentes foi um trabalho de conscientização da lavagem adequada das mãos na região central de Santos. Vale dizer que cada território apresenta a sua especificidade, assim, cada uma das turmas está prevendo ações de acordo com suas demandas .

Luana, outra agente participante da formação, comentou que o plano prevê ajuda-mútua justamente na especificidade dos territórios. “Poder fazer a ação juntas é um extra, porque vamos atuar coletivamente; mobilizamos as nossas redes e vamos ter ajuda para atuar no próprio território”, comentou.

Saúde e informação para a promoção de bem-estar

Durante todo o curso, o cuidado é um dos eixos mais importantes do projeto. Afinal, para cuidar dos outros é preciso cuidar de si mesmo. E pensar o cuidado, como base estruturante para o curso é apenas uma das ferramentas e possibilidades do entendimento da saúde e da educação para a promoção do bem-estar e do bem viver.

Para Mariana,outra participante, participar de um projeto com conteúdos, profissionais de saúde, com fundamentação, faz-se sentir valorizada como cidadã. “No meu entendimento, fazer um curso, independente do tema, é cuidar de mim. Dentro da área da saúde, ainda mais”.

Ela lembra que, dados os desafios e complexidades do momento, a proposta de agentes de saúde é emergencial e a formação, a principal aliada para o enfrentamento da crise e defesa da vida.

“Espero que possamos criar mais formações para mais pessoas porque nesse espaço estamos juntando a educação e a saúde. Me sinto feliz de poder conhecer mais pessoas e ampliar a rede. Como assistente social, me sinto realizada e pertencente ao lugar. Por conhecer mais pessoas, mas principalmente, por partilhar objetivos comuns”, contou Mariana.

Agentes populares: uma tecnologia social e popular, inspirada em outras iniciativas e que pode ser replicado em outros territórios e formatos

Os Agentes populares de saúde são uma tecnologia popular e comunitária. Durante este período tomamos conhecimento de várias iniciativas pelo país, sendo uma delas um projeto de Formação de APopS em Recife, proposto pela Fiocruz em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e com movimentos sociais como o Mãos Solidárias, o Periferia Viva e o MST, que nos inspiraram a construir esta formação na baixada santista.

Assim foi pensado o curso, a partir de experiências reais que já aconteceram. A partir da escuta e da articulação de um curso de extensão para a Formação de Agentes Populares de Saúde – APopS, em três regiões da cidade de Santos, a Zona Noroeste, os Morros e o Centro Histórico.

Para a proposta foi composta uma comissão pedagógica plural, incluindo não só atores da UNIFESP, mas também trabalhadores da rede de saúde e assistência social, do Instituto Procomum, do Instituto Elos, do Fórum da Cidadania e também lideranças comunitárias de diferentes regiões da cidade.

Segundo Marília Guarita “Finalizado o piloto, pretendemos buscar parceiros para que possamos formar agentes populares de saúde em toda baixada santista já que este modelo permite a replicabilidade para outros territórios, pois trata-se de uma tecnologia popular, essencial para a saúde e o cuidado nas periferias brasileiras, e que pode ser co-construído dentro de outros sistemas.”

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